segunda-feira, 7 de julho de 2014

Veleiro anárquico?

Este é um blog onde vou pondo o que me vier à cabeça, de modo anárquico e sem regras, de modo a contar a minha história e as minhas aventuras. Pois sou um veleiro anárquico, claro!

4 comentários:

  1. Finalmente encontrei-te
    Meu querido Meandro
    Finalmente tenho a oportunidade de te transmitir, o que guardava há anos, para dizer te.
    Eu sou o teu antigo dono, que tu jamais me vais esquecer, fui um dos teus melhores amigos que tiveste, fui quem melhor, tratou de ti. Filo com todo o amor e com um carinho muito especial. Por outro lado, deste-me muito trabalho, mas mesmo muito, muitas dores de cabeça, nem tu fazes uma ideia, das dores de cabeça, que passei. por ti. Felizmente, por outro lado, também, fui bem compensado, com as muitas e variadas alegrias que me proporcionaste, e com as inúmeras vitorias, que juntos participámos e celebramos, nas variadíssimas regatas que vencemos. Lembras-te das regatas a V.F. Xira e a Alhandra, fazem parte do nosso historial. Mas há uma história, que tu não sabes, nem sonhas por onde andaste. É que tu não sabes como chegaste á marina de Vilamoura, mas eu tive necessidade de saber toda a tua história e vou te recordar. Navegaste do Reino Unido até ao Algarve na companhia dum casal inglês, que se apoderou de ti, á revelia do teu dono. Com alguma sorte, chegaste e amarraste-te em Vilamoura. Registou-se a tua entrada, através dum documento, cujo nome do teu dono, não constava no registo. Quem te registou, era somente o skipper, tinham te trazido de Inglaterra, juntamente com uma companheira e apresentou os documentos da tua identificação, somente, como eras o Meandor. Foi te dada a entrada, e ficaste registado na recepção da marina, aguardando que posteriormente o teu dono, viesse a Vilamoura, regularizar a tua situação em Portugal. Embora os documentos não condissessem com a identificação do skipper, era obrigatório seres registado. Porquanto naquela data, as embarcações de bandeira estrangeiras, só podiam permanecer em Portugal por um período máximo de 6 meses. Deram-te um lugar, para te amarrares e, entretanto, a companheira do Skipper, foi-se embora para a Inglaterra e ficou o skipper, a viver no teu interior, e a utilizar o tubo de suporte da mesa, como cinzeiro de serviço. O objectivo era vender-te. Aconteceu que estava em construção o hotel á entrada da marina, (Marina Hotel) cujo o projecto era duma empresa Americana, a qual haviam contratado um Arquitecto Português, para lhes dar apoio localmente. O Arquitecto, morava no bairro da Graça em Lisboa e tinha um filho, que havia em tempos andado na vela na ANL juntamente com a instrutora Raquel com o Stocker e não sei se também, com a tua actual dona. Sei que o este teu amigo e querido dono, chegou a sair algumas vezes com esse trio, num veleiro modelo Ècume de Mer de 28 pés, cujo dono era um francês de nome Jean Demoustier, que vivia em Portugal e que tinha na altura, comprado um veleiro de maior envergadura e emprestava o Ècume, para os instrutores da ANL, darem umas voltas.
    Entretanto o arquitecto em Vilamoura, compra-te e paga ao skipper, através duma transferência bancaria, feita directamente no dinheiro que ele tinha na Suíça, á revelia do banco e do cambio existente na aquela data, e como era conhecido na marina, dava para aos domingos, sempre que estava no algarve, dar umas voltas. Para ele era fácil, as saídas da

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  2. marina, bastava informava que ia só dar uma volta, ali em frente a Vilamoura. Assim se divertiu juntamente contigo durante cerca de 2 anos. O teu mais querido dono, tinha na altura um veleiro de 7,5 metros de nome Bico de Lacre, que nas regatas, se não era o último, andava lá próximo. Aconteceu que um dia estava na doca de Belém, e entrou um irmão teu, cujo skipper era um Brasileiro solitário, que havia atravessado o Atlântico e elogiou o teu irmão, a tal forma, que fiquei apaixonado pelo teu irmão. Sucede que numa ida a Vilamoura reparei que tu estavas lá amarrado. Olha? é um irmão, do que chegou a Belém, que havia atravessado o Atlântico. Não perdi tempo, e fui ao encaixe da manivela do molinete e deixei o número do telefone do escritório, com a mensagem: quando resolver vender o barco, estou interessado na sua compra. Passado uns meses, recebo um telefonema dum arquitecto morador na Graça, a informar-me que está interessado em vender-te. Fui encontra-me com ele, em Vilamoura, ele na altura era o teu dono e fomos dar uma volta a vela, em frente a Vilamoura, e ele então, contou-me toda a tua história.
    O arquitecto conforme me referiu: tinha feito o pagamento ao skipper á revelia do banco, não tinha recibo. O teu registo era de Inglaterra, mas não estava no nome do skipper, não havia documento de venda e por conseguinte a solução encontrada pelo arquitecto, foi ir a Gibraltar e registar-te com outro nome, e passavas a chamares-te TIVAS.
    Já tinhas as sanefas com esse nome, prontas para substituir, as existentes, com o nome Meandor. Estava programado, sair em Vilamoura, para dar uma volta, como habitualmente e depois rumar a Espanha, no trajecto mudar-te o nome e trocar as sanefas. Dar entrada num porto em Espanha, já com os documentos do TIVAS. No outro dia, carimbar a saída e navegar para Portugal e entrar em Vila Real de Santo Antonio, com os documentos do registo em nome de TIVAS.
    Aceitei a ideia e paguei por ti, 1.350 contos. Fiquei com 2 registos um (1) no teu nome original (Meandor) com origem na Inglaterra e o outro, onde te chamavas (TIVAS) com origem em Gibraltar.
    a)

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  3. Continuaste a dormir em Vilamoura e o teu novo dono, veio para Lisboa, afim de encontrar uma tripulação, capaz de efectuar a viagem a Espanha para a troca do teu nome e baptizar-te com o nome de TIVAS. Como não se conseguiu essa tripulação, para levar, a efeito essa operação, cuja aventura, era de ir até Espanha, e trocar-te o nome. Fui falar com um amigo meu (Jose Inácio) que era a altura, um dos maiores despachantes alfandegário da Praça em Lisboa.
    Contei-lhe a tua situação, entreguei-lhe os teus 2 registos (e tu continuavas a dormir, já lá iam quase cerca de 3 anos, em Portugal, sem documento de compra, nem de venda). O Jose Inácio disse-me que ia falar com o chefe da alfândega, e saber, que hipóteses haviam, de te legalizar. A reunião por outras razoes, não correu como ele esperava e acabou, incompatibilizado com o Chefe das alfândegas. Optou, por devolver-me as tuas duas identidades e aconselhou-me, a ser eu, a pedir uma reunião com o chefe alfandegário. Restava-me duas alternativas, ou levar-te para Espanha, ou tentar junto da Chefe das Alfandegas legalizar-te. Acabei por solicitar uma reunião ao chefe alfandegário, fui por ele recebido, e expôs-lhe toda a tua situação. Coloquei em cima da secretaria dele, as tuas duas identificações e fiquei a aguardar o entendimento dele. O chefe das Alfandegas foi sensível á situação, e compreendeu que tu, e eu, estávamos em maus lençóis.
    E resolveu ajudar-nos e facilitou a situação dizendo: (esqueça o registo de Gibraltar) e vamos trabalhar como registo Inglês. Na altura informei-o do valor que tinha pago, para ser o teu novo dono. Recomendou-me, para te trazer para Lisboa, colocar-te em seco, a apanhares uns banhos de sol em Belém, e depois quando tivesses a banhos, informa-lo.
    Consegui que na marina te deixassem sair, a fim de navegares para Lisboa, para seres registado e legalizado. Contudo, outra grande chatice, nasceu: É que tu já não ias (ao medico) á inspecção, há cerca de 6 anos e sem a inspecção, não te deixavam largar de Vilamoura. Lá fui tratar de ti, á capitania do Porto da Quarteira e acabaste por ser inspeccionado por 3 engenheiros (um, para tratar do Casco, outro para a segurança e um terceiro para máquina

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  4. Finalmente largaram de Vilamoura com passagem por Lagos para jantar. Saíste á noite, depois do jantar, fizeste um bordo para fora, de tal forma, que quando viraste de rumo, fizeste uma directa, de modo a atracares ao outro dia, ao cair a noite em Sesimbra. No dia seguinte de manha, saíste de Sesimbra todo vaidoso e já vieste dormir a Belém.
    Passado uns dias, pus-te apanhares os banhos de sol e a descansar próximo da Grade de Mares em frente da ANL. Fui informar o Director das Alfandegas, que já estavas a banhos de sol, em Belém. Tiveste a visita de 2 avaliadores da Alfandega, que consideraram que tu valias a volta de 1.800 contos, e apuraram, que o imposto de importação devido, e a apagar á alfandega, era de 350 contos. Fui acorrer pagar e finalmente estavas importado e legalizado em Portugal. Faltava a seguir, registar-te na Capitania de Porto de Lisboa. Outro sarilho, que me arranjaste, não tinhas cédula de nascimento, não se sabia, qual era o teu comprimento, a tua largura, ou teu calado, acima de tudo, qual era a tua arqueação bruta etc. etc.
    Naquela data, a ANL recebia mensalmente uma revista inglesa de vela, Yachting World. que eram depois de lidas e passado alguns meses, despejadas para uma arca, existente lá a um canto e que servia de arquivo. O teu novo dono, passou semanas a desfolhar as revistas, ate encontrar o teu nascimento, numa revista, onde constava o teu lançamento no mercado, referindo-se, que eras um quarter of a ton, cujo modelo era o eighteen. Foi com esses dados retirados dessa revista, que o nosso amigo Eduardo Henriques, te desenhou, te cotou, e com dados do catálogo determinou qual era a tua arqueação bruta. Foi dessa forma, que te registei na Capitania do Porto de Lisboa. Foi também através dessa revista, que ficamos a saber, que o teu progenitor se chamava Ron Holland e que tinhas nascido para a europa, numa ilha do canal da mancha, chamada Guernsey Porquanto na América, já eras um adulto e continuavam a chamar-te KIWI
    Fomos dois grandes amigos e tu nunca soubeste por que razão, sendo eu, tão teu amigo, acabei por arranjar-te outro dono para ti. A razão é que a meu novo proa, passou a ser o meu jovem filho, com 12 anos e não tinha forças para manobrar e caçar, aquele teu panázio, que tinhas á proa. Acabei por trocarte por um Bénéteau First 211, cuja navegação era muito simples e semelhante, há de um Snipe da vela ligeira. Quando te entreguei ao teu novo dono, cujos credenciais, eram as de um comandante da Marinha de Guerra, recomendei-lhe: que tu, eras muito sensível e que devias ser tratado com todo o carinho. Posteriormente vim a saber que andavas triste, desiludido porque o comandante tinha-se divorciado, e te tinha abandonado. Vim a saber mais tarde, por intermédio duma eis instrutora de vela na ANL a Raquel, que a teu novo dono era a Dr.ª Cristina Moisão e que actualmente dormias em V.F. Xira.
    Quando passar por lá, vou cumprimentar-te e matar saudade de ti
    Um abraço muito querido, para o meu Meandor

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